quarta-feira, 5 de novembro de 2014
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
"Desvarios de um lápis azul" no Museu Arqueológico do Carmo
Desvarios de um lápis azul
Visão desapaixonada sobre o 25 de Abril, onde se pretende que as estórias narradas sejam, maioritariamente, metáforas de situações vividas antes e depois da Revolução. Nada é dado de bandeja, mas tudo está lá para ser descoberto. Texto, Teatro, Música, Narração, são os ingredientes fortes deste espectáculo. Uma outra forma de aniversariar Abril nos seus quarenta anos.
Reserva
de bilhetes:
932559636
domingo, 12 de outubro de 2014
A Saga de um Pensador - O Futuro da Humanidade
A Saga de um Pensador – O
Futuro da Humanidade
Augusto
Cury
Pergaminho
(2010 - 2ª edição)
Até
que ponto somos livres e não estamos “presos” nos nossos preconceitos?
Como
somos superficiais no julgamento que fazemos das diferenças dos outros (pág. 26)?
Alguns
indivíduos, num mundo formatado para poderem sobreviver necessitam de uma dose
de loucura, de aproveitar a vida e serem coerentes com ela, acreditando nela como
controlo encarcerado ou como forma de libertação (pág. 149).
Sempre
me questionei o que torna um homem num mendigo. Que histórias, que opções e experiências de vida o fazem enveredar por
esse caminho? Neste livro há uma óbvia resposta “Ninguém teria coragem de abandonar completamente o conforto social se não tivesse uma vida dilacerada” (pág.
40), “muitos dos que têm morada certa
passam pela existência sem nunca percorrer as avenidas do seu próprio ser.”
(pág. 42).
Repensar a sociedade e a vida individual é a
permanente reflexão que fica da leitura deste livro. Em forma de romance o autor
narra a história de Marco Polo, estudante de
medicina, numa analogia ao veneziano do século XIII, um indivíduo que questiona
o que o rodeia, um visionário idealista da humanidade.
Da sala de aula de Anatomia para a identificação dos
corpos estendidos, a busca das histórias de cada indivíduo para além de um
corpo inerte. A vida dos sem abrigo, do anónimos com que diariamente nos
cruzamos. Uma viagem pelas doenças mentais e pela indústria de antidepressivos não pondo em causa a
prescrição médica mas a reflexão sobre a banalização e a vulgaridade da mesma.
O modo como a sociedade e
a escola se encontram estruturadas, “mercado
de tédio, sem poesia e sensibilidade” (pág. 35), para disciplinar e uniformizar, não
permitindo que as pessoas se tornem indivíduos pensadores, livres e críticos. (pág. 151), “um grande hospital psiquiátrico ou uma sociedade de mendigos que não
abandonaram os seus lares, mas se abandonaram a si mesmos” (pág. 253).
A importância da escuta e da possibilidade de acreditar em sonhos (pág.114).
A importância da escuta e da possibilidade de acreditar em sonhos (pág.114).
Um livro que reflete a necessidade da compreensão e
aceitação do outro numa visão humanista e holística, necessárias na sociedade
atual, a fronteira entre a loucura e a sanidade mental, as relações sem
preconceitos. Um romance idealista para o que seria uma sociedade ideal. O
ideal de uma humanidade que tende a desorganizar-se. Fica o romance.
Elvira Cristina Silva
in: Sugestão de leitura da Newsletter nº 76 (outubro 2014) - 1.ª quinzena; pág. 10) Pro-Inclusão
sexta-feira, 4 de julho de 2014
Tu tens direito
Tu tens direito
Texto:
Borbála Pócz e Dóra
Csányi.
Ilustrações: Tibor Kárpáti
Instituto Nacional para a Reabilitação,
I.P. (2009)
Preconizando a vida de qualquer indivíduo, pleno de
direitos, concebe-se o processo de inclusão, de todos sem exceção. Pressupõe-se, deste
modo, uma sociedade que constitua um espaço de liberdade e cidadania. Uma
educação de compromisso. Na verdade, uma sociedade comummente inclusiva não
necessitaria de legislação específica para determinado tipo de população. A
legislação deveria conter, ela própria, as particularidades e especificidades
de todos, não fazendo sentido elaborar leis específicas. A
inclusão, sendo que se trata de uma questão de direitos humanos, deveria ser
implícita aos olhos de todos, mas nem sempre assim o é. Na sociedade
em geral, a inclusão, é ainda, um objetivo a atingir, pelo qual, urge
permanentemente reforçar na memória percursos para direitos tão essenciais. Talvez seja
essa a justificação da necessidade de publicações como esta...
“Tu
tens direito” constitui-se como um manifesto, numa versão de literatura
infantil aborda a Convenção,
específica, sobre os Direitos das Pessoas com Deficiências. Elucida sobre
objetivos, importância e pertinência da existência da Convenção. Aclara os significados da
palavra "direito", sua
relevância, bem como refere o papel do Comité, no garante que os direitos das
pessoas com deficiência sejam respeitados.
As ilustrações de Tibor Kárpáti, (designer húngaro, do jornal "New Yorker", autor,
ilustrador e co-ilustrador de vários livros infantis), compõe numa mancha
gráfica a simplicidade que se espera na compreensão do tema, numa abordagem tão
simples quanto metafórica. Tão próxima da infância.
O enlace entre o texto curto e as metáforas estéticas da
ilustração focam no primordial uma sensibilização a crianças e adultos o
significado de direitos tão implícitos como o direito à dignidade, à não
discriminação, à igualdade de oportunidades, à acessibilidade, à justiça, à
liberdade e à segurança, o acesso à informação, à participação em todas as
áreas, desde a artística, a desportiva, ao lazer, à política. Pode consultar o vídeo
em:
http://www.youtube.com/watch?v=7TgutAnBk9Y#t=48
http://www.youtube.com/watch?v=7TgutAnBk9Y#t=48
Elvira Cristina Silva
in: Sugestão de leitura da Newsletter nº 73 ( 2.ª quinzena junho 2014, pág. 8)
terça-feira, 1 de julho de 2014
Políticas Educativas em Portugal – Contributos para a História do Sistema Educativo
João Ruivo e João Carrega (Coord.)
RVJ editores (2014)
Uma simbiose de opiniões e pensamentos, remetem para o universo das questões políticas educativas, uma obra de trezentas e cinquenta páginas que congrega um conjunto de entrevistas publicadas nos últimos dezasseis anos no jornal mensal Ensino Magazine.
A primeira edição deste livro nasce em 2011, nesta segunda edição são acrescentadas novas entrevistas realizadas, desde então, até ao presente ano.
Livro coordenado pelo diretor fundador do Ensino Magazine, João Ruivo, e pelo atual diretor, João Carrega.
O prefácio da primeira edição, a cargo de Luciano de Almeida, (ex-presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos e também do Instituto Politécnico de Leiria) constitui, por si só, um magnificente documento com referências, datas e acontecimentos mais relevantes na evolução do sistema do ensino em Portugal.
As entrevistas edificam opiniões, criticas, pensamentos, simples ou confusos, compreensíveis ou meras utopias. Entrevistas realizadas a diversas personalidades da vida social (políticos, músicos, professores, filósofos, escritores, médicos, advogados, economistas, agentes culturais, entre outros), que de algum modo estão ligados ao mundo académico ou têm um ponto de vista sobre o assunto.
No total, são quarenta e quatro entrevistas a nomes como Adriano Moreira, António Mega Ferreira, Bagão Félix, Campos e Cunha, Carlos Fiolhais, Carlos do Carmo, Eduardo Catroga, Eduardo Lourenço, Fernando Rosas, Francisco José Viegas, Garcia Pereira, José Barata Moura, José Medeiros Ferreira, João Lobo Antunes, José Gomes Ferreira, Leopoldo Guimarães, Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes, Odete Santos, Pedro Lourtie, Vasco Graça Moura, Sérgio Godinho. Ex-ministros da Educação, ou do Ensino Superior e Ciência, Eduardo Marçal Grilo, Guilherme D'Oliveira Martins, Augusto Santos Silva, Júlio Pedrosa, David Justino, Pedro Lynce, Maria de Lurdes Rodrigues, Mariano Gago, Nuno Crato, entre outros.
Numa época conturbada de desencantos face ao sistema educativo, torna-se relevante absorver opiniões refletidas de diferentes cidadãos que permitem afilar posições e tendências, num olhar que possibilite compreender o percurso do sistema educativo ao longo dos últimos dezasseis anos e eventualmente perspetivar um futuro, ainda que incerto.
Elvira Cristina Silva
domingo, 29 de junho de 2014
Mafaldisses - crónica sobre rodas
Mafaldisses – crónicas sobre rodas…
Mafalda
Ribeiro
Papiro
editora (2008)
Mafalda Ribeiro nasceu em 1983 com o diagnóstico de
Osteogénese Imperfeita (ossos de vidro), convive numa relação simbiótica com a
sua cadeira, da qual depende para a sua mobilidade, numa relação de respeito
pelos objetos que dão significado à vida.
Reúne nesta obra crónicas publicadas
durante 52 semanas no jornal Notícias da Manhã.
Crónicas sobre rodas, como o subtítulo revela, um olhar de
quem em cadeira de rodas se debate frequentemente com situações e pormenores, na
maioria dos casos despercebidos à grande parte das pessoas, mas que um portador
de deficiência sente em primeira instância. Cadeira de rodas, que surge na capa da obra forrada com papel de jornal.
A autora embora não sendo jornalista na prática, mantém o gosto pelo
jornalismo e pelas palavras publicando diversas crónicas de opinião.
Perspicácia e sentido de humor, acompanham a autora, na forma
de encarar a vida, no modo como crítica a
sociedade abordando com muito humor factos que nos rodeiam.
Algumas das suas crónicas comovem, permitindo refletir em
questões de cidadania. Ao partilhar as suas vivências retrata uma sociedade
ainda escassa em acessibilidades e mentalidades inclusivas. Alerta consciências
apressadas que raramente se apercebem ou refletem sobre os direitos de todo o
ser humano, em especial sendo portador de deficiência.
Peripécias do quotidiano num olhar atento de quem encara o
mundo e a vida como uma dádiva que se deve aproveitar.
“saborear os pequenos ingredientes que
compõem os momentos únicos como se só houvesse o hoje para viver” pág. 95
Elvira Cristina Silva
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