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terça-feira, 15 de novembro de 2011

2.º Congresso Internacional Pin-ANDEE: “Derrubar Barreiras. Facilitar Percursos”,

A Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial, realizou de 28 e 29 de Outubro o Segundo Congresso Internacional subordinado ao tema “Derrubar Barreiras. Facilitar Percursos”, com a presença de alguns dos mais proeminentes académicos e investigadores nacionais e internacionais. Os cerca de 300 participantes, na sua maioria professores desta área, debateram temas actuais relacionados com a Educação Especial e Inclusiva, nomeadamente Políticas, Educação de crianças e jovens com NEE, Equidade. Qualidade de vida, Identidade Profissional dos Docentes de Educação Especial, Centros de Recursos, Transição para a Vida Adulta, Investigação, Articulação entre Serviços, o Papel dos Pais, Intervenção Precoce e Unidades de Ensino Estruturado e Especializadas, entre outros.


Da riqueza dos debates e das comunicações apresentadas, elaborou-se o seguinte documento que foi aprovado na sessão de encerramento do Congresso:
 
CONCLUSÕES


 

EDUCAÇÃO INCLUSIVA

A Educação Inclusiva (EI) continua a ser um conceito que se mantém na ordem do dia continuando a apresentar-se como suporte indispensável na definição das políticas e na implementação das práticas. Nestas transformações há que ter em conta que os modelos a usar devem primar pela flexibilidade, evitando aplicações “cegas” a realidades necessariamente diferenciadas e valorizando-se a especificidade cultural, o sistema de valores e as forças de mudança que muitas vezes já existem no seio das comunidades educativas. As mudanças devem partir de uma análise das situações concretas.


MUDANÇA NAS POLÍTICAS

 

Não é só a escola que deve mudar, também as autoridades locais e nacionais necessitam de operar mudanças significativas nas políticas. Não se pode organizar o ensino sem se definir claramente os objectivos e avaliar as lideranças de forma clara e consistente. A generalização da EI em termos nacionais e internacionais torna pertinente clarificar o conceito e a sua operacionalização ao nível central e local. Para qualificarmos a EI, há que planificar de forma fundamentada e clara através de avaliações consequentes. Essa avaliação faz parte de uma prática corrente dessa mesma mudança. A inclusão não se restringe ao interior da escola, envolve também um sistema político que saiba projectar e avaliar as mudanças nos momentos próprios e não apenas no âmbito dos calendários eleitorais. Saber manter uma política sistemática e continuada de consenso nacional é muito importante para que as transformações positivas na escola possam ocorrer de forma efectiva e sustentada, pois elas são necessariamente lentas.


O respeito pela autonomia das escolas e dos professores, não deve inibir as entidades governamentais de enquadrar e coordenar a implementação de políticas em termos locais, de forma a promover a equidade e facilitar os processos de interpretação, que cada interveniente faz das políticas emanadas.


Decorrente dos resultados de vários estudos que avaliaram a aplicação do Dec.Lei 3/2008 torna-se necessária a sua melhoria, tendo em conta as diferentes perspectivas já conhecidas, bem como os resultados da investigação actual.

EQUIDADE

É sempre necessário desafiar o conceito de EI e ir mais além centrando a questão na vertente da “equidade”, de modo a que os alunos com NEE sejam tratados com justiça e tenham igualdade de acesso e de participação efectiva na aprendizagem e em toda a vida escolar.


Deveremos colocar hoje a questão se os nossos alunos estão a ser tratados de forma justa no seu processo de inclusão. Torna-se por isso imperioso que a avaliação das melhorias, não tenham apenas em conta os resultados académicos, mas também de como as escolas contribuem de forma qualitativa para o sucesso e equidade das populações mais vulneráveis no seu seio.


COLABORAÇÃO
Continua a ser consensual como uma das peças chave da EI, a “colaboração”, não apenas dentro da própria escola entre alunos e entre professores, mas também numa perspectiva de colaboração entre escolas e entre as escolas e a comunidade, evitando possíveis assimetrias.

Fica o desafio: é imperiosa a colaboração nas escolas, entre as escolas e para além das escolas.

Para promover a EI com equidade é importante que as escolas possam aprender entre si e sem exceção de forma a não decalcar no sistema de ensino, o ciclo de desigualdades de uma sociedade hierarquizada.


QUALIDADE DE VIDA

Da mesma forma deveremos insistir no conceito de “qualidade de vida”. Neste contexto a qualidade de vida, determina processos de interacção social, de lazer, de autonomia de autodeterminação e de liberdade individual. No desenvolvimento dos projectos de vida dos alunos deverá existir um equilíbrio entre uma vertente académica, do currículo e o desenvolvimento formal e sistemático de competências que promovam a qualidade de vida em termos mais globais.

ARTICULAÇÃO ENTRE SERVIÇOS

Emerge a necessidade de uma articulação entre serviços e entre entidades locais e governamentais. A melhoria da qualidade educativa exige o envolvimento de todos os sectores sociais e políticos. Essa necessidade tem-se manifestado mais no serviço de intervenção precoce, mas também em todos os processos de melhoria nas escolas portuguesas. Como exemplo: a implementação da CIF, onde as dificuldades de articulação entre os serviços foram (e continuam a ser) verdadeiramente sentidas.

CIF
A utilização da CIF cinge-se ao processo de classificação, cuja aplicação dos quantificadores fica ao livre arbítrio dos aplicadores, dado não existirem instrumentos de avaliação educacional com correspondência directa aos quantificadores. A aplicação da CIF em Portugal, quer na educação, quer na saúde, é sentida como um instrumento inadequado a uma avaliação compreensiva das necessidades educativas dos alunos. O acesso a medidas de apoio, ou a serviços, não deve depender da classificação das incapacidades, mas sim da necessidade que o aluno tem em beneficiar dos apoios. A prevalência dos critérios médicos sobre os critérios educacionais deverá ser definitivamente repensada em Portugal, dado que contraria a perspectiva de EI e de Necessidades Educativas Especiais.

CRI

A forma de funcionamento das equipas multidisciplinares dos CRI deveria ter como princípio um apoio a toda a escola, inclusivamente pais e professores. Não foi valorizada a eficácia de quantificadores, como a quantidade de apoios terapêuticos individuais, em detrimento do desejável reforço da articulação e do suporte à acção dos agentes educativos.
 
Numa perspectiva de articulação de serviços, a implementação dos CRI, continua a ser uma medida a necessitar de reavaliação. Dado que existem muitas outras entidades que poderiam constituir-se em recursos para a inclusão, inclusivamente as próprias escolas do ensino regular.
 
Este programa carece de uma avaliação que possibilite que os CRI vão ao encontro das necessidades das escolas de forma articulada, centrando este processo na escola do ensino regular como local de construção da EI.


PAIS

Os pais são uma força fundamental para as transformações qualitativas no sistema e na melhoria dos processos de inclusão nas escolas. É desejável a participação activa dos pais no diagnóstico, planificação e no encontrar de soluções para os problemas, devendo fazer parte dos processos de decisão. A sua participação é reconhecida e valorizada neste processo. São desejáveis processos e programas de articulação entre os pais e os profissionais a vários níveis.


TVA

Numa altura em que a escolaridade básica é de 12 anos, há muito a clarificar e definir no âmbito da Transição para a Vida Activa. Sendo uma área fundamental, continua a não haver uma articulação e uma envolvência de entidades e recursos de toda a sociedade. Ficou a preocupação destes processos poderem não ter consequências, devido à ausência de uma planificações e de orientações e recursos que contemplem esta nova realidade.


LIDERANÇA

O sucesso da inclusão depende, em grande medida, das equipas de direcção e do seu envolvimento nos processos de melhoria no sistema educativo. Uma liderança eficaz foi reconhecida como fundamental na implementação de uma EI.

PROFESSORES

Os professores e em particular os Professores de Educação Especial, são elementos fundamentais e centrais para o desenvolvimento de uma escola que tenha como meta a equidade e a igualdade de oportunidades. Para que seja cumprido o direito a uma educação socialmente justa para todos os alunos é necessário o concurso de variados técnicos mas não deve ser esquecido o papel central do professor, profissional articulador de todos estes apoios e com um papel imprescindível na discussão e desenvolvimento de qualquer solução de escolarização e educação.

No final, os participantes do congresso reiteraram a importância de continuarmos a olhar a EI no âmbito do respeito pelos direitos humanos, no quadro da equidade educativa.

As crianças e jovens com NEE devem ver garantidos os seus direitos de participação em igualdade de oportunidades em todos os sectores da sociedade,

Estando todos mobilizados para derrubar barreiras e facilitar percursos.


In: 1ª newsletter do mês de novembro da Associação Nacional de Docentes de Educação Especial


segunda-feira, 11 de julho de 2011

Educação inclusiva - Revista PIN-ANDEE


Acaba de sair o nº3 da revista Educação Inclusiva, revista da Pró Inclusão - Associação Nacional de Docentes de Educação Especial que chegará em breve a casa dos associados.

Para quem interessar a sua compra pode fazê-lo em:

Aqui fica a capa para adoçar a curiosidade.

Ilustração de Sara Cunha, a quem desde já agradecemos o seu contributo generoso, contribuindo para o prestígio da nossa revista.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Simpósio sobre Educação Especial e Inclusiva

AUDITÓRIO DA CÂMARA MUNICIPAL DE ÁGUEDA



9h-9h30 - Sessão de Abertura: Prof. Doutor David Rodrigues (Presidente da PIN-ANDEE)

9h30 - 10h30 - Conferência: Educação Inclusiva: Os Nós e os Laços - Prof. Doutor José Morgado

11h-12h30 - Mesa redonda 1


A cooperação/articulação nas respostas em Educação Especial


Unidades de Ensino Estruturado: Entrelaçar Vontades... Laçar Competências!


Mestre Joaquim Colôa


Unidade de Apoio à Multideficiência – Um desafio na Inclusão


Dr.ª Ana Breda e Dr.ª Rute Rebelo


14h30-16h - Mesa redonda 2


Desenvolvimento e Autonomia: Que laços?


Transição para a Vida Adulta de Jovens com Necessidades Educativas Especiais


Mestre Ana Rosa Trindade


Projecto Átomo: Proposta de abordagem à Educação afectivo-sexual nas pessoas portadoras de deficiência.


Dr. Miguel A. Tavares Cruz

Para mais informações e inscrições: simposioeducacaoespecial@cm-agueda.pt

234611290 (Dra. Sara Silva - Serviço de Educação)
 

terça-feira, 5 de abril de 2011

Pin-ANDEE - O menino da índia

Durante a visita de estudo que a nossa Associação fez a Salamanca uma das colegas da Universidade de Salamanca que nos recebeu e connosco debateu o sistema de Educação Especial e Inclusiva em vigor em Espanha, mostrou-nos um vídeo retirado do
“youtube” que muito me impressionou (http://www.youtube.com/watch?v=02Q4f7T4vi0)
A história é simples de contar: numa movimentada rua de uma cidade indiana durante uma chuvada, cai uma árvore que fica a impedir a passagem. A árvore é enorme e vêem-se os gestos expressões de desânimo dos automobilistas perante aquela grande contrariedade. Espera-se que alguém venha resolver o assunto: telefona-se, protesta-se contra a imóvel e impassível árvore caída na rua.
De súbito, do meio da confusão de trânsito e da chuva torrencial uma criança, aproxima-se da árvore e começa a tentar empurrá-la. Incrédulos e até meio trocistas os transeuntes olham. A criança não desiste e, primeiro uma, depois outra, depois muitas das pessoas que ali estavam abandonam o interior dos carros imobilizados e, debaixo de chuva, juntam-se ao menino que tinha iniciado o trabalho. O filme acaba com a árvore sendo removida por uma multidão feliz por ter encontrado pelas suas forças uma solução para um problema que parecia insolúvel. A ligação que esta pequena história tem com a Educação Inclusiva é muito próxima por três razões:

1. Antes de mais porque a Educação Inclusiva é uma reforma educacional e, como tal, (tal como a árvore) não pode ser levada a cabo por pessoas isoladas. Nem mesmo por super-mulheres ou super-homens que tentam tudo resolver com a sua força e determinação. A árvore é demasiado pesada para ser movida por um ou por muito poucos: precisamos do compromisso de muitos.

2. Depois, porque desenvolver a Educação Inclusiva é fazer qualquer coisa. Não só conceber, enunciar princípios, enumerar o que seria preciso, eventualmente verberar a insuficiência de recursos ou a falta de atitudes adequadas. Desenvolver práticas inclusivas na escola é uma prática e, como tal, implica que cada um saia do abrigo seco do seu automóvel para se juntar aos que estão à chuva, àqueles que correm o risco de retirar a árvore.

3. Finalmente, as reformas não são sempre feitas por aqueles intervenientes que seriam os mais indicados, os que teriam mais responsabilidades ou mais preparação para as empreender. Tal como no vídeo, são por vezes os mais fracos, os menos preparados, aqueles de quem se esperaria menos empenho e capacidade que, muitas vezes, iniciam e suportam os processos de inovação. Se esperamos que sejam os “mais indicados” a tomar a iniciativa podemos ficar indefinidamente à espera que algo aconteça. Neste vídeo foi a pessoa com menos força que iniciou o processo e, talvez sem ela, a árvore tivesse ficado à espera que um aparatoso, demorado e custoso carro de bombeiros, a viesse remover.


Os professores de Educação Especial são profissionais que muitas vezes desencadeiam as reformas e as modificações nas escolas que conduzem a que elas possam ser acolhedoras e eficazes para alunos com dificuldades. Mas mesmo quando não são eles a desencadear este processo, precisamos que estejam atentos para ver quem toma a iniciativa de “empurrar a árvore” e, logo, logo, se juntem a quem não se conforme com a rua entupida.

Por: David Rodrigues
Presidente da Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial (PIN-ANDEE)
In: 1ª newsletter de Abril da PIN - ANDEE)

terça-feira, 22 de março de 2011

A propósito de uma visita - Pin-ANDEE em Salamanca

A PIN-ANDEE realizou, nos dias 18, 19 e 20 de Março, uma visita-pedagógica a Salamanca. Poderão perguntar: Porquê a Salamanca?

Para aqueles que possam andar um pouco mais esquecidos foi em Junho de 1994 que mais de trezentos participantes, em representação de noventa e dois governos (incluindo o português) e vinte e cinco organizações internacionais, se reuniram para promover a reflexão e as linhas orientadoras para uma Educação para Todos, assim como examinar “as mudanças fundamentais de política necessárias para desenvolver a abordagem da educação inclusiva, nomeadamente, capacitando as escolas para atender todas as crianças, sobretudo as que têm necessidades educativas especiais” (Declaração de Salamanca, ONU, 1993, p. iii).

Decorreram já dezassete anos sobre esta conferência internacional, no nosso entender tempo suficiente para os países envolvidos, terem implementado e solidificado as estratégias, os meios e recursos, para responder ao repto lançado e tão presente nas palavras de Frederico Mayor. O desafio para que “Todos os interessados devem agora aceitar o desafio e trabalhar, de modo a que a Educação para Todos seja, efectivamente, PARA TODOS, em especial para os mais vulneráveis e com mais necessidades. O futuro não está marcado, mas será, antes, configurado pelos nossos valores, pensamentos e acções. O nosso sucesso nos anos vindouros dependerá não tanto do que façamos, mas do que consigamos realizar (Declaração de Salamanca, ONU, 1993, p. iv).

No caso do estado português, subscritor da Declaração de Salamanca, há questões que permanecem e outras que (re)nasceram. Entre essas questões destacam-se: Qual a missão, os valores e os objectivos que norteiam em Portugal a Educação, em geral e a Educação Especial e a Educação Inclusiva, em particular? Quais as políticas que se vêm desenvolvendo e o seu respectivo impacto junto dos agrupamentos de escolas, dos departamentos de Educação Especial; dos professores do ensino regular e dos docentes de educação especial? Quais as medidas concretas que permitem uma Educação para Todos e em especial os “mais vulneráveis e com mais necessidades”? A definição das crianças e alunos a apoiar corresponde aos critérios de elegibilidade definidos actualmente? As acções desenvolvidas junto das crianças e alunos com Necessidades Educativas Especiais “não permanentes” são adequadas e eficazes? A comunidade em geral, a comunidade escolar, as famílias (entre outros) estão envolvidas na promoção de uma educação de sucesso para todos?

Ao longo desta visita, os professores do ensino regular, os professores de educação especial, entre outros, partilharam informalmente muitas das preocupações anteriormente expressas. Foi também possível constatar que, embora pesem as particularidades inerentes a cada um dos sistemas educativos, comungamos, com o país vizinho, muitas destas inquietações e apontamos (particularmente os investigadores e especialistas na matéria, assim como, os docentes de educação especial) para muitas das possíveis soluções.

Por último reforçamos que esta visita a Salamanca, tendo aliado saber e lazer, permitiu a todos os que não desistiram uma consciência mais alargada de que a caminhada para a educação de qualidade para Todos não é fácil, não é linear e que há muito a fazer.

Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial (PIN-ANDEE)
 
No decorrer da visita a Salamanca foi possível melhor conhecer as actividades do Instituto Universitário de Integração na Comunidade (INICO) (www.inico.usal.es; inico@usal.es) e do Servicio de Información sobre Discapacidadd (SID) (http:sid.usual.es).

O INICO tem como finalidade a realização de acções de investigação, formação especializada e assessoria de forma a encaminhar e potenciar, facilitar e melhorar as condições de vida das pessoas em situação de desvantagem social em diferenttes contextos e ao longo de todo o seu ciclo vital : pessoas com incapacidades físicas, psíquicas e sensoriais, assim como, pessoas com doença crónica, doença mental, minorias e populações marginalizadas.

O SID, contando com a com a colaboração diária de dez investigadores, tem-se consolidado, nestes últimos 10 anos, como a página de referência sobre a deficiência. Nela poderemos encontrar inúmera informação havendo a destacar a biblioteca digital através da qual temos acesso directo a obras completas e que podem ser descarregadas para o seu computador.
 

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Identificação de alunos com NEE


Evoco a frase de T. Popkiewitz, quando afirma que “Ser pragmático é encontrar respostas complexas para problemas complexos” (Cosmopolitanism and the age of school reform, 2009).

O quotidiano do professor de Educação Especial é procurar e encontrar respostas para problemas complexos. Na verdade, se os problemas fossem simples não chegariam até nós, não precisariam de uma atenção redobrada, especializada e recorrendo a outro tipo de competências e de conhecimentos. A prática ensinou-nos que não existem soluções simples para problemas complexos; existem, quando muito, patamares de soluções que vão vigorando até se encontrarem outras mais adequadas à natural evolução dos processos e dos casos.

Vem esta questão da complexidade a propósito de pedidos de informação que vários colegas, professores de Educação Especial, têm vindo a fazer chegar a nossa Associação. O assunto é se será correcto que os alunos que são abrangidos pelos serviços da Educação Especial sejam identificados como tal nas pautas ou mesmo até nas provas escritas que fazem. Este assunto é complexo e certamente não pode ser resolvido com uma única forma de actuação mas juntaria três reflexões:

1. O nosso sistema educativo faz uma opção inequívoca pela inclusão. Desenvolver políticas inclusivas significa que ninguém pode ser discriminado pelas suas condições (género, etnia, deficiência, …). Não ser discriminado pressupõe também um direito à (possível) privacidade. É provável, que no contexto de uma escola, não seja possível fazer passar desapercebidos os serviços que se proporcionam a alunos com dificuldades. Mas outra coisa é que se apregoe “urbi et orbi” as suas dificuldades.

2. Assinalar publicamente as dificuldades do aluno parece (repito parece) indicar alguma insegurança por parte da escola. Vejamos: para que serve assinalar que o aluno é “avaliado ao abrigo do Dec-Lei 3/2008”? Não serve para o aluno, não serve para a sua família (que já sabe), não serve para os colegas (que desconfiam) … Serve então para quem? Talvez para os outros pais porque a escola tem receio que os outros pais notem que a avaliação é “injusta” se não for assinalada. A questão é: será possível encontrar outra solução para este problema complexo? (ex: explicar numa reunião de pais, explicar-lhes/comprometê-los numa dinâmica de inclusão, etc.)

3. Precisamos de avaliações que relacionem o que investiu com o que se conseguiu, o que se semeou e o que se colheu. E isso é válido para todos os alunos. Estabelecer que a avaliação só diferente “para aquele aluno” é talvez uma forma arcaica de separar os alunos em “normais” e “diferentes”. E feita esta separação está-se certamente a ir ao contrário daquilo que nos aproxima da inclusão. O que nos aproxima da inclusão é sabermos que todos os alunos são diferentes e merecem a justiça de serem considerados como tal.

E retomo: “Ser pragmático é encontrar respostas complexas para problemas complexos”. Não é certamente assinalando que “o aluno é avaliado ao abrigo do Dec-Lei 3/2008 que se resolve a questão. Mas o problema fica aberto à discussão.

David Rodrigues

Presidente da Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial

Editorial da 2º Newsletter de Fevereiro

domingo, 14 de novembro de 2010

Em Novembro acontece

18/11/2010

Resultado de uma organização conjunta entre e PRO-ANDEE e o Instituto Piaget vai realizar-se, pelas 17h30, no pavilhão D do Campus Universitário do Instituto Piaget de Almada, a conferência intitulada “Emergindo do silêncio: reflexões sobre a Educação de alunos surdos”, pelo Professor brasileiro Armando Nembri.

20/11/2010

No ciclo denominado “Falando com quem faz…” Noémia Coleta desenvolverá, das 10h00 às 13h00, na Universidade Portucalense (Porto) o tema: “Intervenção no Espectro do Autismo”

27/11/2010

Inserido no ciclo “Falando com quem faz…” será apresentado por Laura Gonçalves, Teresa Sousa, Maria Inês Angelino, Marta Nunes e Isabel Damião o tema: “Matrizes Curriculares”. Mais uma vez será das 10h00 às 13h00, na Associação Nacional de Docentes de Educação Especial – Instituto Piaget - Pavilhão C - Sala 28 - Quinta da Arreinela de Cima, 2800-305 Almada (Junto à estação do Pragal – FERTAGUS)

27/11/2010

A realização da Assembleia-Geral da associação, a partir das 14h00, para a apresentação de Plano e Orçamento para 2010 e proposta de estatutos.

Para mais informações:

domingo, 24 de outubro de 2010

Em Novembro acontece...






Actividades da Pin-ANDEE durante o mês de Novembro:

05/11/2010
O que acha que poderá ser a “ Casa do Futuro Inclusiva”?
Venha descobri-la no dia 05/11/2010, às 18h00, no Museu das Comunicações. Contamos consigo!...
A entrada é livre para os associados da ANDEE.
A inscrição é obrigatória através de proandee@gmail.com (máximo de 20 pessoas)
A Fundação Portuguesa das Comunicações - Museu das Comunicações
Rua do Instituto Industrial, 16- 1200-225 Lisboa

Metro: Estação Cais do Sodré (linha verde) Comboio: Estações Cais do Sodré e Santos Autocarro: 714, 28, 732 (Av. 24 de Julho); 60 e 794 (Lg. Conde Barão); 706 (Av. D. Carlos I) Eléctrico: 25 (Lg. Conde Barão); 15 e 18 (Av. 24 de Julho)
Parque de estacionamento (pago): Lg. Vitorino Damásio

06/11/2010
Ciclos de sábado: “Falando com quem faz….”
DATA: 06/11/2010 – Das 10h00 às 13h00
TEMA: Programa de Enriquecimento Instrumental de Feuerstein
DINAMIZADORA: Ana Cristina Reis
LOCAL: Associação Nacional de Docentes de Educação Especial – Instituto Piaget - Pavilhão C -Sala 28 - Quinta da Arreinela de Cima, 2800-305 Almada (Junto à estação do Pragal – FERTAGUS)

Associados: Entrada Livre
Não Associados: 7,50€

08/11/2010
Ciclo Luso-Espanhol de conferências sobre Educação Inclusiva
DATA: 08/11/2010 – A partir das 17h30
TEMA: “A Inclusão começa em casa” Vitor Franco – Universidade de Évora “Aulas inclusivas y aprendizaje cooperativo” Pere Pujolás – Universidade de Vic

LOCAL: Universidade de Évora, Évora
Associados: 7,50€
Não Associados: 15€

Para efectuar o pagamento das acções formativas deverá realizar a transferência bancária para o NIB: 0036 0106 9910 0042 3297 4 enviando o comprovativo, de preferência digitalizado, para proandee@gmail.com

domingo, 3 de outubro de 2010

Ciclo Luso-Espanhol de conferências sobre Educação Inclusiva.





´
Universidade Lusófona, Lisboa  - 11 de Outubro, 17h30


“Formação de Professores e Educação Inclusiva: como reformar os reformadores?”


David Rodrigues –Presidente da ANDEE


“Formación del Profesorado para la Inclusión -Experiencias de formación del profesorado en Inclusión”


Pilar Sarto –Universidade de Salamanca
 
PRO ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE DOCENTES DE EDUCAÇÃO ESPECIAL

http://www.proinclusao.com.sapo.pt/
proandee@gmail.com

terça-feira, 1 de junho de 2010

Dia da criança



Hoje, 1 de Junho, é Dia Internacional da Criança.

Apesar de sermos uma Associação de Professores não nos esquecemos que a nossa profissão é dedicada à aprendizagem, desenvolvimento e qualidade de vida das crianças sobretudo daquelas para quem a aprendizagem não é simples nem fácil.

São elas verdadeiramente a razão de ser da nossa profissão, o foco das nossas preocupações e objecto da nossa incessante inquietação para sermos melhores profissionais.



Por isso, neste Dia da Criança a direcção da Associação Nacional de Docentes de educação Especial, quer saudar todas as crianças e celebrar nelas o futuro, a criatividade, a mudança para melhor e o progresso social e humano.

Perseguimos a utopia de uma educação sempre melhor na certeza que a utopia é o que ainda não se vê e não o que não existe.

A Direcção da ANDEE

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE DOCENTES DE EDUCAÇÃO ESPECIAL


www.proinclusao.com.sapo.pt

Leituras

Leituras
Os livros que se seguem apresentam as minhas opiniões sobre os mesmos. Exclusivamente o meu "ponto de vista". EC

Para além do óbvio- Histórias sociais

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Autismo

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30 anos, 30 pessoas, 30 histórias

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Índice médio de felicidade

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Eu até sei voar

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Mágoas da Escola

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CINCO PAIS NATAIS E TUDO O MAIS

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Deixa-me entrar

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Caderno de Tóquio

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Le goût des glaces

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Não os desiludas - histórias da escola

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Eu quero Amar, Amar perdidamente

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A ferramenta que faz os contos

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A arte de ensinar

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O Futuro da Escola Pública

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A inclusão nas escolas

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Crianças em Risco VOL 4

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A vida na porta do frigorífico

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O mundo segundo BOB

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A Saga de um Pensador - O Futuro da Humanidade

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A intuição leitora, a intuição narrativa

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Tu tens direito

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Políticas educativas em Portugal

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Mafaldisses - crónica sobre rodas...

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Todas as cores do vento

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Prisioneiro em mim

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Crónicas do avó Chico

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PSICOMOTRICIDADE – Jogos facilitadores de aprendizagem

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Fala Comigo

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Sara, A Luz

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Indisciplina Na Escola

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O quarto de Jack

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A Magia das chaves

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Gaudi, um romance

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o ladrão de Sombras

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Partes de mim

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História de uma esquizofrenia - Jérémy, sua família, a sociedade

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Maria e Eu

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Agarrem-me ou dou cabo desses palhacitos!

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Rafeiro Perfumado: "Are you ladrating to me?!?"

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"Rafeiro Perfumado: a minha vida dava um blog"

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O menino de Cabul

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A Educação na Finlândia: Os segredos de um sucesso

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"Aproveitem a vida"

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"Olha-me nos Olhos"

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"Einstein nunca amou"

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"Mais alto do que as palavras"

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Temos de falar sobre o Kevin

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Os Mistérios do Sono

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Quem mexeu no meu queijo

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Aprender Juntos para Aprender Melhor

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A criança que não queria falar

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Domesticar a hiperactividade e o défice de atenção

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Síndroma de Down: Leitura e Escrita

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Inclusão - Um guia para Educadores e Professores

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O jardim de infância e a família

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Organização da componente de Apoio à Familia

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Contributos para o estudo das práticas de Intervenção Precoce em Portugal

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O segredo das crianças felizes

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Crianças (e pais) em risco

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Comportamentos e estratégias de actuação na sala de aula

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Educar com os pais

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A Criança e o Medo de Aprender

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Hiperatividade Eficaz

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A criança e o psicólogo

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A matemática no pré escolar

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A experiência motora no meio aquático

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Problemas de alimentação na criança

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A Intervencão Precoce e a criança com Síndrome de Down

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Educar, promover, emancipar - os contributos de Paulo Freire e Rui Grácio para uma Pedagogia Emanci

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Da investigação às práticas

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Valores Educativos, Cooperação e Inclusão autor: Ramos Leitão(Salamanca 2010)

Ouvindo o silêncio

O estranho caso do cão morto

Mal entendidos