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domingo, 22 de novembro de 2015
terça-feira, 20 de outubro de 2015
Caderno de Tóquio
Caderno de Tóquio
Porfírio Silva
Esfera do Caos (2015)
Este verão fui a Tóquio, não em viagem presencial,
infelizmente, mas através das palavras e do registo fotográfico de Porfírio
Silva. Poderia, quase, ser um diário da sua estadia de cinco meses como
investigador de robótica na Universidade de Tóquio, mas como o título sugere, trata-se
de um registo de diversos apontamentos, acompanhados na maioria dos casos, por
fotografias que ilustram as curiosidades e assimetrias de uma cultura longínqua
da ocidental.
Viajamos
num país diferente, em hábitos e costumes. Como em tudo o que é diferente,
primeiro estranha-se, depois entranha-se.
Deparamo-nos
com o preciosismo da cortesia mas também da burocracia, particularidades da
política nipónica, o enfoque cultural, as tradições e os aspectos gerais de uma cultural milenar,
através de um olhar atento aos detalhes.
Envolvemo-nos em diversos
relatos, como a preciosidade da cerimónia do chá, a robótica, os teatros nas
suas diferentes apresentações, o sumo, os arranjos florais, as ilhas, a banda
desenhada na sua versão manga, os cultos budistas e xintoísta. Tudo inventariado
com pormenores suficientes para nos sentirmos in loco. Um registo de um filósofo em viagem que intencionalmente nos
revela a grandeza de uma cultura antagónica. Não posso deixar de me fascinar
com o desfile de diferenças e semelhanças do ser humano em qualquer face do
planeta. O que se manifesta por trás de cada cultura e dos respetivos hábitos.
Deliciei-me com o
respeito pela natureza (em contraste com algumas incongruências próprias do ser
humano), assim como a crença de que os objetos ganham o espírito de quem com
eles partilha a vida.
Viajamos assim, neste
caderno, até um Japão com zonas obrigatórias a visitar, bem como espaços menos
prováveis pelos comuns dos turistas e evidentemente, menos evidentes na cultura
oficial.
O autor enquadra as
visitas e os contextos vividos, refletindo com o leitor o seu ponto de vista,
questiona e elenca situações experienciadas, algumas caricatas ou mais curiosas
para os ocidentais, assinalando as idiossincrasias de um país distante e
paralelamente fascinante.
Como sempre nas viagens,
também nesta viagem literária, há um modo de olhar o outro, de entender que
existem outros mundos diferentes do nosso.
Elvira Cristina Silva
in: Sugestão de Leitura na Newsletter Pin-ANDEE (Pró-Inclusão-Associação Nacional dos Docentes de Educação Especial) nº 91 (página 8)- outubro 2015 - 1.ª quinzena
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
"A ideia é apenas uma ideia" na revista Lisboa/Le Cool/
Um sonho pode ser só um sonho ou transformar-se em realidade. Um projecto será apenas um projecto enquanto ninguém o tornar acção. Um problema deixará de o ser quando for encontrada a sua solução. A ideia é apenas uma ideia… Bem, na realidade, não tem que ser mas neste caso é, porque os seus criadores – ou melhor, os Ilusionistas – assim entendem.
Não percebeste nada? Então eu explico. Certo dia, um grande grupo de artistas amadores criou uma peça de teatro, denominada Ilusão, e depois um grupo mais pequeno (os tais Ilusionistas) quis dar continuidade ao trabalho efectuado. Devem ter percebido que tinham jeito para a cena!
E eis que surge esta peça, resultado de um conjunto de textos que foram escritos pelos mesmos, sobre tudo o que possas imaginar – como sonhos, tempo, discussões conjugais, cusquices entre vizinhos, e outras coisas que, surpreendentemente e apesar de não obedecerem a uma estrutura convencional, fazem sentido.
Se pensas que só os profissionais são capazes de fazer coisas fantásticas, este é o momento para mudares de opinião. É que há ideias que, de facto, não são apenas ideias e merecem ser vistas. E se ainda assim continuas baralhado, o melhor é ires a Carnide tirar as tuas próprias conclusões!
por: Mária Pombo
in: http://lisboa.lecool.com/event/ideia-e-apenas-uma-ideia/
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
"A ideia é apenas uma ideia" - Os Ilusionistas na Casa do Coreto dias 2 e 3 de outubro de 2015
A ideia é apenas uma ideia
Na sequência do projecto ILUSÃO que integrava 59 actores não profissionais, formou-se espontaneamente um pequeno grupo de teatro, OS ILUSIONISTAS, cujo projecto apresentaram na sala do Teatro da Cornucópia, em maio de 2015, agora com apresentação na Casa do Coreto dias 2 e 3 de outubro 2015.
A peça baseia-se em quadros criados a partir de textos produzidos em sessões de escrita criativa e que formam um todo contínuo, apesar de não se contar uma história nem tão pouco se obedecer a uma estrutura convencional.
Um maestro frustrado com o seu coro abre o espectáculo, seguindo-se cenas que variam desde reflexões sobre temas como a inspiração, o sonho, o sentimento, o medo, passando por diferentes comentários (simpáticos, desagradáveis e sarcásticos) a uma rapariga que se vê ao espelho; fala-se ainda de uma mulher antiga que “se espreguiça quando cumprimenta o mundo”, joga-se com o relógio que “não nos deixa em paz”, e ainda vemos um mesmo horóscopo aplicado em três versões completamente diferentes. Sobra ainda tempo para se falar de poesia, de épocas de escassez, e para juntamente com o público, se cantar uma métrica aparentemente impossível. Discussões conjugais, críticas a vizinhos, memórias de “outros tempos” e até um concurso televiso cabem também nestes quadros que de uma forma ora séria ora divertida, tocam em questões marcantes da sociedade actual (o individualismo, a solidão, o desamor).
Autores como Alberto Caeiro e Eugénio de Andrade, passando pela Bíblia e a Wikipédia, entre outros, inspiraram estes textos.
Autor Criação colectiva
Encenação Lina Paula Pinto
Sonoplastia Gustavo Almeida
Actores Elvira Silva, Filipa Maldonado Reis, Jorge Pires Silva, Lina Paula, Manuela Martins, Paulo Almeida e Vitória Pato.
Rua Neves Costa, 45, 1600-532 Lisboa
Sexta e Sábado às 21:30h.
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
Le goût des glacés
Le goût des glacés
Anne Poiré
Ilustrações Les Guallino
(Anne Poiré e Patrick Guallino)
Le Verger des Hespérides
(2010)
Um romance intenso, imerso de nostalgia. A sua leitura de tão viciante
incorpora a realidade, sentimo-lo na primeira pessoa na personagem Esmeralda
(cor da esperança) e também Stella (estrela), uma dualidade na mesma
identidade.
É com ela que mergulhamos na sua escrita em forma de diário, nela
espiamos o seu desespero “Eu estou sozinha. O tempo todo. O meu
silêncio exaspera.” (...)"Os da
minha idade não sofrem” (pág. 7).
O design
sugestivo apela à leitura. Desde a capa onde uma adolescente magríssima se olha
disforme. Os seus olhos psíquicos não a deixam ver a realidade espelhada. Um
mau estar, visível na escrita de pensamentos desconstruídos em busca de um
sentido para a vida. Por isso mesmo nos revemos nos maus estares da personagem
ou nos sentimos intrusivos enquanto leitores, a invadir os seus pensamentos
frutos do sofrimento.
O Layout gráfico, no formato de paginação e margens, com ilustrações de
pequenos desenhos, quase como rabiscos artísticos e filiformes que acompanhamos
nos nossos diários, remetem para um caderno ou diário escrito por uma
adolescente.
Na leitura das
páginas acompanhamos a personagem num desafio à vida atormentada por um
desaparecimento prematuro da sua mãe. Uma mãe perfeita, idealizada perante a
perda e um pai despedaçado pela privação que se refugia no seu ateliê de pintura.
Na busca incessante
de significado para a sua vida, ela apresenta-nos fragmentos desta que giram em
torno de si própria.
Negro, índigo, rosa, magenta, fúchsia, laranja, podem ser a cor dos dias
mas também podem oscilar entre fogo de artifício, cães e lobos ou dias
escorregadios, não são dias de calendário mas dias repletos de sentimentos.
No confronto dos seus dias um desafio de uma professora diferente “um filtro que os outros professores não tiveram
a ideia de utilizar” (pág. 25) “há
alguém ainda, (...) que me vê um pouco”. (pág. 25), incita na busca da sua autobiografia, confrontando-se com a história
dos antepassados, segredos de família, num cenário trágico da história francesa e
germânica do século XX.
Nas suas
pesquisas procura o sentido da sua árvore genealógica em simultâneo com um
sentido para a sua existência, confrontando a história e as sombras do passado da
sua própria família.
Sentimo-nos perante um diário na confrontação dos pensamentos no
decorrer dos dias. Em discurso
direto, uma narrativa íntima, na voz de uma personagem fictícia (?), que ressoa
incrivelmente real.
Anne Poiré numa escrita
sensível, fértil nas palavras, transporta-nos a questões ligadas ao
desenvolvimento, como anorexia, bulimia, morte, passado e presente. Um aperto comovente
perante a vida e as suas ambiguidades.
“(...) Quarta-feira antracite
Aqui está o que pertence à história,
e este é o meu passado.
Infelizmente.
Beber todas essas páginas da
família, eu nunca me sacio perante tais informações. Cada detalhe me perturba.
(...)” (pág. 104)
Cenas de um palco íntimo, testemunha de metamorfose de vidas com que nos
identificamos tantas vezes.
Uma narrativa embebida de
diferentes sabores, nela espelhamo-nos nas fraquezas e nas forças, a questão da
vida contínua onde se tenta sobreviver.
Para saber mais sobre a autora podem visitar: http://annepoire.free.fr/ ou adquirir o
livro através de anne.poir@wanadoo.fr
Elvira Cristina Silva
in: Revista Educação inclusiva Vol.6 nº 1 - junho 2015
La traduction,pour cher amie Anne Poiré:
"Un roman intense, immergé dans la nostalgie. Sa lecture tellement addictif intègre la réalité, nous nous sentons dans la première personne dans le caractère Emerald (de couleur de l'espoir) et aussi Stella (Star), une dualité dans la même identité.
Il est avec elle que plongé dans son écriture sous
forme de journal, il regarda à votre désespoir. "Je reste toute seul. Tout le temps. Mon silence m´ exaspère. "(...)"
Ceux de mon âge ne souffrent pas " (p. 7).
Le design évocateur appelle pour la lecture. Le
couverture avec une adolescent qui se recherche difforme. Vos yeux psychiques
ne laissent pas voir la réalité en miroir. Un mal-être, visible dans l'écriture
pensées déconstruit à la recherche d'un sens à la vie. Ainsi, même en mauvais
nous passons en revue les portes du caractère ou sentons intrusive que les
lecteurs, à envahir les fruits de pensées souffrant.
La présentation graphique, le format et les marges
de pagination, de petits dessins de personnages, presque comme art et
filiformes gribouillis que nous suivons dans notre quotidien, se référer à un
cahier ou un journal écrit par un adolescent.
En lisant les pages suivent un personnage dans un
défi à la vie tourmentée par une mort prématurée de sa mère. Une mère parfaite,
idéalisée avant la perte et d'un père brisé pour la privation qui se réfugie
dans son atelier de peinture.
Dans la recherche de sens pour la vie, elle nous
donne des fragments de ce tournant autour de lui-même.
Noir, indigo, rose, magenta, fuchsia, orange, peut
être la couleur de jours, mais peut aller de feux d'artifice, les chiens et les
loups ou les jours glissants, non jours calendaires mais les jours pleins de
sentiments.
Dans la comparaison de sa vie un défi d'un
professeur différent "Un feutre que
les autres profs n´auraient pas l'idée d'utiliser" (p. 25) «il y a encore quelqu'un, (...) qui me voit
un peu." (p. 25), demande instamment la poursuite de son
autobiographie, des affrontements avec l'histoire des ancêtres, secrets de
famille, un scénario tragique de l'histoire française et allemande du XXe
siècle.
Dans sa recherche, explore le sens de l´arbre
généalogique avec un sens de son existence, face à l'histoire et les ombres du
passé de sa propre famille.
Nous sommes confrontés dans le quotidienne des
pensées. Dans le discours direct, un récit intime dans la voix d'un personnage
de fiction (?), qui résonne incroyablement réel.
Anne Poiré avec une écriture sensible, riche en
mots, nous emmène dans les questions de développement, tels que l'anorexie, la
boulimie, la mort, le passé et le présent. Une poignée se déplaçant vers la vie
et de ses ambiguïtés.
"(...)
Mercredi anthracite
Voilà
qui appartient à l'histoire, et c´est mon passé.
Hélas.
Gorgée
de toutes ces pages familiales, jamais je ne me rassasierai de pareilles
informations. Chaque détail me bouleverse. (...) "(p. 104)
Scènes d'un stade intime, la métamorphose témoin
vit nous nous identifions avec si souvent.
Un récit imprégné de saveurs différentes qui nous
inspiré sur les faiblesses et les points forts, la question de la vie continue
dans la tentative de survivre.
Pour en savoir plus sur l'auteur peut visiter: http://annepoire.free.fr/ ou acheter le livre à travers anne.poir@wanadoo.fr
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